sexta-feira, 9 de julho de 2010

Presa



Queria que teus olhos fossem menos pontiagudos. Que não me trespassassem assim, como se minha carne não oferecesse resistência alguma ao teu sal e ao vinagre da tua saliva. Dispões das minhas partes como a preparar o teu banquete, mas limita-se a degustar lentamente como se teu apetite ainda estivesse morno.
Ainda sangro.
Enquanto afias teus caninos em outros ossos, de presas já devoradas, por certo mais saborosas ou mais "ao ponto" que eu.
Ainda sangro.
Enquanto me preparas, a fogo lento, para adornar a tua mesa e fazer parte do teu banquete.
Ainda sangro ao sentir o teu apetite e imaginar a força dos teus dentes, mas agora, meu sangue é a lava que escorre do teu vulcão em chamas, quando me chamas para saciar a tua fome.
Entre teus dentes encontro meu ponto.
E meu sangue escorre, quente, pelos cantos da tua boca.

Monica San

Do gosto, desgosto e de tudo



Esse gosto de amor desdenhado
esse sal de desejo abortado
esse fel de paixão dolorida
não é morte, nem nada nem vida.

É delírio de corpo esquecido
é destino sem traço corrido
desatino sem caso pensado
desferindo esse rasgo no lado.

Sangra o gosto sem gosto de tudo
arde o corte que estanca no mundo
rasga o verbo que cala meu peito

torna em mim essa dor desse jeito
tão sem fim que parece absurdo
tão sem jeito de nada, contudo.

Monica San

Cale-se


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sangrando

Se doesse assim
mas ao menos esgotasse
e chegasse ao fim

é como sangrar um parto
de filho morto.

Luna

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Teu sopro












Teu sopro

Puta maldita!

Tara meu corpo
crava, suga, seduz
*********************
promete o sopro
num gozo extremo
e se afasta
antes do termo

Puta! vadia!

despe-me de vida
e nega
o beijo último

definho
mas ainda vivo.

Luna Echant